Exposição coletiva
04.07.2026 – 29.08.2026
MI CASA ES SU CASA
Bartolomeu Gusmão, Catarina Fragueiro, Diogo Nogueira, Fernando Travassos, Inês Coelho, Irene Loureiro, Juliana Julieta Maria, Miguel von Hafe, Rúben Fernandes, Rui Castanho
© REGISTA
Mi casa es su casa é uma exposição coletiva que reúne artistas estabelecidos nas Caldas da Rainha e no Porto.
Apresenta pintura em suportes de desenho, desenhos em suportes de pintura, pinturas que são desenhos e uma escultura que é um desenho reconfigurado. Liga-os o humor, a maneira como exploram e pensam os materiais, as tecnologias e os títulos dos trabalhos. Liga-os a capacidade de nos deixar entre dois mundos, o da ordem e o do ato criativo que passa rasteiras à representação.
Associado ao modo como os artistas encaram o fazer, surgem as palavras “alegria”, “naiveté”, palavras que descrevem a energia e o prazer, e que é onde esta exposição começa.
Nos últimos dois anos, conhecemos alguns artistas estabelecidos nas Caldas da Rainha. Circunstancialmente fomos parar ao atelier de alguns, bem como fomos espreitando online o que faziam para partilhar com o pessoal do Clube de Desenho:
“- Pessoal fixe com trabalho com muita piada” – Pessoal que pinta, outra vez! -Ainda?!
Nome atrás de nome, associando imaginários, surgiram outros nomes de artistas estabelecidos no Porto que também tínhamos conhecido recentemente e cujo trabalho se encontrava no despojo, na energia, na capacidade de nos fazer soltar uma gargalhada…
Em conversa percebemos que estávamos perante um humor que reside na persistência em encontrar e criar um desvio à coerência, em que há uma desconfiança, (no sentido da rasteira) para com os materiais, para com a tecnologia e para com a história da representação. Partindo da premissa do humor, a imagem é então encarada como espaço de jogo, ambiguidade, duplos sentidos e deslocamento de expectativas.
E embora uma imagem por si não chegue para se compreender um percurso, há aqui imagens preciosas que nos aproximam do artista, das inquietações, das visões, da vida, da cumplicidade das ideias… é como ter o privilégio de entrar na cabeça de alguém…
Irene Loureiro e Diogo Nogueira, 2026
© REGISTA
Biografias:
Bartolomeu Gusmão. Vive e trabalha nas Caldas da Rainha, onde estudou na ESAD.CR, concluindo a sua licenciatura e mestrado em Artes Plásticas.
Expõe regularmente, coletiva e individualmente desde 2012. Trabalha maioritariamente através dos meios da pintura e desenho, onde explora temas ligados aos elementos naturais e a relação do corpo.
Catarina Fragueiro, Terceira, Açores, 1993. Concluiu em 2017 o curso de Artes Plásticas na ESAD.CR. Atualmente vive e trabalha nas Caldas da Rainha.
A sua prática artística centra-se na pintura a óleo.
Diogo Nogueira, 1999. Vive e trabalha entre Porto e Paris, onde estuda como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua prática explora interseções entre humor e imagem utilizando pintura, desenho e cerâmica para propor novos mundos. Expõe em espaços como Galeria Graça Brandão, Galeria Presença e CAPC sede. O seu trabalho encontra-se representado nas coleções da Fundação Calouste Gulbenkian, Coleção Municipal do Porto, Coleção Fundação Bienal de Cerveira, Coleção Norlinda e José Lima, Fundación ARCO, entre outras.
Fernando Travassos, Coimbra, São Martinho de Árvore, 1990.
Vive e trabalha entre Caldas da Rainha e Lisboa. Pós-graduado em 2018 em Artes Plásticas pela ESAD.CR.
Expõe regularmente desde 2011. Integra desde 2023 a coleção da Caixa Geral de Depósitos.
Desenvolve uma prática processual que explora a fronteira entre desenho e pintura, através da tensão entre o registo gráfico e monocromático e a atmosfera pictórica de velaturas e cores ambíguas. Parte do imaginário colecionado que revisita para criar imagens de limiar entre a figuração e a abstracção.
Inês Coelho, Santo Tirso, 1996.
Licenciada em Artes Plásticas – Escultura, pela FBAUP.
Desenvolve a sua prática artística no Atelier Caldeiras (Porto), exercendo em paralelo a função de coordenadora de serralharia na ArtWorks (Póvoa de Varzim).
O seu imaginário é revelado através da escultura e da instalação, articulando diferentes materiais e técnicas numa abordagem crítica marcada pelo humor e por um universo simultaneamente lúdico e provocador.
Irene Loureiro, 1980.
Mestre em Desenho e Técnicas de Impressão pela FBAUP e licenciada em Artes Plásticas pela ESAD.CR.
Expôs individualmente no Clube de Desenho, na Casa da Imagem e no atelier Cirurgias Urbanas. É co-fundadora do coletivo PIZZ BUIN.
Desenvolve uma prática artística que centra o arquivo pessoal de imagens enquanto matéria migrante e ativadora de processos de ressignificação por analogia, nos quais faz uso do desenho enquanto estratégia de montagem que potencia e configura o processo criativo.
Juliana Julieta, artista visual e realizadora que trabalha entre Pintura e Cinema Experimental. O seu trabalho explora a fisicalidade dos processos manuais e as diferentes temporalidades da imagem, investigando uma relação tátil, sensorial e fenomenológica de criar imagens.
Fez várias residências nacionais e internacionais, como: Alemanha (bolsa Europe moves culture) 2025; The Mechanics of Cinema, MONO NO AWARE (NY, 2022, bolsa FLAD). Foi vencedora da MNJC 2023 e nomeada para o Sovereign Portuguese Art Prize 2024, ano em que a sua obra integrou a coleção CACE e Pláka (Porto).
Maria Miguel von Hafe, 1995. Licenciou-se em Artes Plásticas – Multimédia na FBAUP e concluiu, em 2023, o mestrado em Artes Plásticas na ESAD.CR. Das exposições individuais destacam-se Labirintos, na Duplex, (Lisboa, 2025) e Flores, Buracos Negros e Outros Espaços Interiores, em parceria com o músico Mother Jupiter, no Espaço Ócio (Porto, 2024). Integra exposições colectivas desde 2015. Foi, entre 2018 e 2023, editora da revista Dose e programadora no Espaço Ócio (Porto). Escreve regularmente para exposições e outras iniciativas de arte contemporânea.
Rúben Fernandes, Caldas da Rainha, 1995. Vive atualmente no Porto, onde é residente dos Ateliers Municipais do Porto. Artista plástico que desenvolve uma prática que procura editar experiências — boas e más — através de uma postura empírica perante o mundo. Recorrendo ao desenho, à pintura e à instalação, estabelece diálogos sobre essas vivências. O seu trabalho tem como objetivo retirar e acrescentar narrativas, subvertendo aquilo que é coerente e incoerente num arquivo de imagens de não-lugares.
Rui Castanho, Lisboa, 1986. Vive e trabalha entre Caldas da Rainha e Lisboa.
“O seu trabalho constrói-se no campo disciplinar da pintura, entrando por meios que dizem respeito ao desenho, numa construção sensível de imagens que tentam persistentemente dar-nos a resposta, variável, oscilante e possível, à pergunta: como fazer uma pintura? E eu diria: como pintar, ainda?” (Catarina Real, Arte Capital, 28/11/2020)
Sebastião Casanova, Coimbra, 1995. Vive e trabalha nas Caldas da Rainha.
É representado desde 2025 pela Galeria Pedro Oliveira, no Porto. Nos últimos anos participou em exposições individuais e colectivas das quais se destacam Ma mort sera petit comme moi (2025, Galeria Pedro Oliveira) e Contranatura, com Bartolomeu de Gusmão (2026, Centro Cultural de Congressos das Caldas da Rainha), ambas com a curadoria de Óscar Faria. Expõe regularmente desde 2019.
Equipa:
Direção Artística e Curadoria: Clube de Desenho, Diogo Nogueira, Irene Loureiro
Desenho de Exposição: Diogo Nogueira, Irene Loureiro
Montagem: Carlos Pinheiro, Diogo Nogueira, Irene Loureiro, Marco Mendes
Produção: Irene Loureiro, Diogo Nogueira, Sofia Barreira
Comunicação: Irene Loureiro, Sofia Barreira e Sofia Neto
Material Gráfico: Adriana Assunção
Material Fotográfico: REGISTA





















